A cor de 2028 não é sobre moda, e isso muda tudo no mercado
- Claudia Bavaresco

- 23 de mar.
- 3 min de leitura
Radiant Earth 2028: o que a nova cor revela sobre um consumidor que não compra mais como antes.

Se você ainda interpreta a cor do ano como uma escolha estética, você está olhando só a superfície. A definição da Radiant Earth como cor de 2028, anunciada pela WGSN em parceria com a Coloro, não aponta apenas uma direção visual. Ela revela uma mudança mais profunda, e silenciosa, no comportamento de consumo.
Porque, no fim, as cores não antecipam o que vamos usar.Elas traduzem o que já estamos sentindo.
O consumidor mudou, e não foi de forma sutil
Nos últimos anos, o consumo foi guiado por velocidade, excesso e estímulo constante.Tudo precisava chamar atenção, gerar impacto imediato, disputar espaço. ( e, a ansiedade batendo na porta...) Mas esse modelo começou a mostrar sinais claros de desgaste.
O consumidor atual está mais seletivo, mais consciente, e , principalmente, mais cansado.
Cansado do excesso de informação, cansado da estética vazia, cansado de consumir sem se reconhecer no que consome. É nesse cenário que a Radiant Earth ganha força.

Uma cor que não grita, mas sustenta
Diferente de cores que surgem para gerar impacto imediato, a Radiant Earth ocupa um lugar mais profundo. É um tom terroso, quente e denso.Não chama atenção pelo contraste, chama pela sensação.
E a sensação que ela transmite é clara:
estabilidade
segurança
permanência
Isso não é apenas uma escolha visual.É uma resposta direta a um momento em que as pessoas estão buscando algo que sustente, não apenas algo que impressione.

Segurança se tornou valor percebido
Existe uma mudança importante acontecendo no comportamento de consumo:
Antes, o desejo era ser visto, agora, o desejo é sentir segurança na escolha.
E essa segurança começa a ser comunicada também de forma visual.
Cores como a Radiant Earth carregam esse papel. Elas não vendem impulso, elas constroem confiança. E isso muda completamente a lógica do mercado, onde o consumidor não quer mais apenas gostar do produto, ele quer acreditar nele.
O retorno ao essencial não é estética, é posicionamento
Muito se fala sobre o “voltar ao natural”, mas aqui é importante aprofundar essa leitura.
Não estamos diante de uma tendência passageira.Estamos diante de um reposicionamento de comportamento.
A Radiant Earth se conecta com movimentos que vêm se consolidando:
valorização do artesanal
busca por autenticidade
rejeição ao excesso digital
necessidade de conexão com o real
Isso mostra um consumidor que amadureceu, e não busca mais apenas novidade, ele busca sentido.
O impacto direto no varejo
Quando o comportamento muda, o mercado precisa acompanhar.
E essa mudança não é sutil. A Radiant Earth abre espaço para uma transformação clara na forma como marcas se posicionam:
Produtos deixam de ser apenas visualmente atrativos e passam a carregar mais profundidade.Ambientes comerciais deixam de estimular e passam a acolher.A comunicação deixa de gritar e passa a sustentar uma narrativa coerente.
O foco sai do impacto imediato e entra na construção de experiência, que hoje, é o que mantém o cliente.
Imagem não é mais sobre destaque, é sobre coerência

Essa mudança também redefine a forma como a imagem é construída.
Durante muito tempo, a imagem esteve ligada à ideia de chamar atenção, de gerar impacto.
Agora, isso muda. Cores como a Radiant Earth mostram que a imagem passa a ter outro papel:reforçar identidade, transmitir consistência e sustentar presença. Não é mais sobre ser visto rapidamente.É sobre ser lembrado com clareza.
O que a Radiant Earth realmente revela
Se existe uma leitura estratégica aqui, ela é simples, e direta:
A Radiant Earth não cria um movimento, o que ela fez, foi confirmar um movimento que já começou, ou seja, estamos entrando em um ciclo onde o consumidor:
questiona excessos
valoriza estabilidade
busca profundidade
consome com mais consciência
E isso exige um novo tipo de posicionamento de marca.
Sendo assim, concluis-se que o mercado não quer mais impacto, ele quer consistência
Toda cor do ano carrega uma direção, e a Radiant Earth aponta para um mercado menos impulsivo e mais consciente.Menos baseado em novidade e mais sustentado por significado.
Para quem trabalha com moda, imagem ou varejo, a pergunta muda.
Não é mais “como seguir tendência”.
É: como construir algo que faça sentido suficiente para permanecer.
Porque no fim, não é sobre cor. É sobre o tipo de valor que você entrega, e se ele sustenta ou só chama atenção. Até a próxima.
Beijos, da Clau!




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