O efeito Ozempic e o guarda-roupa que expira: O novo desafio do planejamento na moda.
- Claudia Bavaresco

- há 2 dias
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As canetas emagrecedoras estão mudando o corpo das pessoas em tempo recorde. O problema é que essa mudança rápida virou de cabeça para baixo o planejamento da indústria da moda. Se você andou pelos shoppings ou navegou por sites de roupas nos últimos meses, principalmente na hora de olhar os saldões, com certeza notou esse efeito de perto: os tamanhos menores( P e PP) sumiram das araras e do estoque, enquanto as peças maiores ( G e GG ) tem disponível de monte. A questão vai muito além da vaidade; virou uma dor de cabeça cara para as lojas e um baita desafio para o bolso do consumidor. A moda trabalha com muita antecedência. Meses antes de uma blusa chegar à vitrine, as marcas já decidiram exatamente quantas peças P, M,G e GG vão fabricar. Elas sempre se basearam na ideia de que o peso das pessoas não mudava tanto de um mês para o outro. Só que essa certeza sumiu.
Para quem compra, o impacto é direto no bolso. Com o peso mudando rápido, uma pessoa pode usar até quatro tamanhos diferentes em menos de um ano. A roupa perde a utilidade num piscar de olhos. Isso gera um vaivém sem fim de trocas e devoluções que as lojas simplesmente não sabem como parar.
Até o mercado de vestidos de festa e de noiva, que trabalha com prazos bem longos, entrou nessa dança. Os ateliês estão reforçando as equipes de costura para dar conta de ajustes enormes na última hora. O corpo da cliente muda tanto durante o processo que muitas vezes o vestido precisa ser refeito na véspera do evento.

O mito do tamanho fixo e a volta das modelos magras
Durante anos, o assunto principal na moda foi incluir corpos diferentes e aumentar a variedade de tamanhos nas araras. Agora, o desafio é outro: como desenhar uma coleção se o tamanho de quem vai comprar muda rápido?
Essa velocidade mostra algo que as marcas tentavam ignorar: o corpo humano não é uma coisa estática. Ele muda com a idade, com a rotina e, agora, com a ajuda da ciência. Em vez de insistir em tabelas de medidas rígidas, o futuro das roupas talvez dependa de tecidos mais elásticos e modelagens inteligentes que acompanhem essas mudanças e se adaptem ao corpo, ou seja, se a cliente ganha peso ou perde, a roupa pode ser utilizada sem precisar comprar uma nova peça.
Enquanto as lojas do dia a dia tentam se virar, as passarelas dos grandes desfiles internacionais parecem correr para o outro lado. A volta das modelos extremamente magras acendeu um alerta na mídia. Nos desfiles mais recentes de marcas de luxo, as modelos plus size praticamente sumiram. Parece que a alta moda já se rendeu ao padrão magro dos remédios.

Para onde a moda vai agora?
O grande desafio atual não é adivinhar qual será a cor ou a estampa da estação, mas sim entender o ritmo de vida das pessoas. As marcas correm contra o tempo para vestir um consumidor que muda de tamanho de forma rápida, e o público tenta entender o que vestir enquanto o próprio corpo se transforma.
A lição que fica é que não dá mais para a moda tentar adivinhar o "tamanho ideal" da próxima temporada. O conceito de tamanho fixo simplesmente deixou de existir.
Até a próxima.
Beijos, da Clau!




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