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Anna Wintour: O Fim de Uma Soberania e o Início de uma Nova Era

Depois de quase quatro décadas comandando o maior império editorial da moda, Anna Wintour deixa a cadeira de editora-chefe da Vogue América. Sim, agora é oficial: a mulher que transformou revistas em templos de influência e capas em coroações de estilo está saindo de cena — mas não sem deixar um legado impossível de ignorar.

Muito antes do império, já havia visão

Nos anos 70, com seu corte reto e postura reservada, Anna já circulava nos bastidores da moda londrina como quem sabia onde queria chegar. Saiu da sombra do pai, um editor renomado, e decidiu escrever sua própria história — primeiro em Londres, depois em Nova York, onde seu nome começou a ganhar peso real.

Ela não quis apenas trabalhar com moda. Ela quis moldar a moda. Reinventou editoriais, colocou celebridades no centro do estilo e elevou o nível de exigência de toda uma indústria. A entrada na Condé Nast foi o estopim. Não demorou para tomar as rédeas da Vogue Britânica e, logo em seguida, conquistar o trono que tanto desejava: a edição americana da Vogue.

Mudanças que marcaram a cultura

Sua primeira capa na Vogue US em 1988 já dizia tudo: jeans e alta-costura na mesma imagem. Quebrou o protocolo e deu início a um novo capítulo — onde o luxo podia ser acessível e o estilo não precisava mais ser engessado.

Anna entendeu o jogo antes de todo mundo. Foi ela quem bancou talentos como Galliano, McQueen e Tom Ford. Foi ela quem entendeu que atrizes também poderiam ser ícones de estilo. Foi ela que transformou o MET Gala em Super Bowl da moda. E quando veio a crítica sobre os padrões estéticos irreais das modelos? Foi dela a decisão de colocar uma mulher saudável, bronzeada e sorridente na capa: Gisele.

A primeira  capa de Anna Wintour no comando, em 1989 e a capa que alçou Gisele ao estrelato representando um novo momento na moda.
A primeira capa de Anna Wintour no comando, em 1989 e a capa que alçou Gisele ao estrelato representando um novo momento na moda.

A era de ferro, a influência pop e o desgaste digital

Anna virou personagem de filme, documentário e memes. Ganhou fama até entre quem não lia revista nenhuma. Comandava tudo — equipe, marcas, indústria, política editorial. Por muito tempo, foi o centro nervoso da moda global.

Mas os tempos mudaram. O digital atropelou o impresso. O poder se fragmentou. As redes sociais descentralizaram a autoridade. E, mesmo tentando adaptar o império à nova realidade, o trono foi ficando mais simbólico que prático.

Um adeus que é mais que uma saída

Aos 75 anos, Anna Wintour sai com o peso de quem construiu mais do que revistas — ela ajudou a ditar o que o mundo deveria achar bonito, relevante e desejável por mais de três décadas. Acertou muito, errou também. Mas acima de tudo, atuou como líder de uma era em que a moda tinha comando, direção e impacto cultural real.

Sua saída não é só o fim de um cargo. É o encerramento de um modelo. Um tipo de liderança que misturava autoridade, visão e uma dose de controle que o mundo de hoje já não aceita tão fácil. Se isso é bom ou ruim? Só o tempo vai dizer. Mas o vazio deixado é inegável.

E agora?

Agora, a moda vive um novo tempo. Mais líquido, mais diverso, mais caótico — e talvez menos glamouroso. O que não muda é a necessidade de visão, direção e personalidade. Anna Wintour deixa o cargo, mas a referência permanece.

Porque quem entende de estilo de verdade sabe: algumas peças saem de cena, mas continuam marcando presença. E Wintour foi, e ainda é, uma dessas peças raras.

 
 
 

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